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Diálogos sobre pluralidade de saberes, formas de resistência e o papel da universidade animaram Seminário na UFSB

  • Publicado: Sexta, 13 de Julho de 2018, 09h37
  • Última atualização em Sexta, 13 de Julho de 2018, 13h25
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De 9 a 11, aconteceu o Seminário UFSB: popular e pluriepistêmica, promovido por uma comissão intercampi e interdisciplinar, com o objetivo de promover a reflexão, análise e divulgação das experiências com práticas e projetos centrais do Plano Orientador da Universidade Federal do Sul da Bahia desenvolvidos por professores(as), técnicos(as)-administrativos(as), estudantes e representantes da sociedade civil nos três últimos anos, conforme material de divulgação do evento.

De acordo com a professora do Centro de Formação em Artes (CFA/CSC) e membro da Comissão Organizadora Rosângela de Tugny, a ideia partiu de colegas de quatro Grupos de Pesquisa: Arandu Heta (CFA/UFSB); Sociedade, Educação, Universidade (CFCHS/UFSB); Comunidade e(m) autonomia no sul da Bahia (UFSB) e Encontro de Saberes (INCTI/UnB). Ela comentou que eles se aproximam pela relação quem mantêm com a UFSB, principalmente “no reconhecimento dos passos que a universidade deu na educação nacional como um todo, pela forma como se implantou, pelo projeto, e o quanto traz como possibilidade de inclusão, de trabalhar de fato com as populações minorizadas da sociedade.”

A mesa de abertura foi composta pelos Professores Kabengele Munanga (USP/UFRB) e José Jorge de Carvalho (UnB/INCT de Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa), responsáveis, respectivamente, pela aula magna e pela palestra de encerramento, dentre outras atividades. Compôs a mesa a Reitora da Universidade Federal do Sul da Bahia, Professora Joana Angélica Guimarães da Luz que, na ocasião, lançou um programa voltado para a construção da Política Afirmativa Institucional.

O articulador da Teia dos Povos, membro do Conselho Estratégico (CES) e representante da sociedade no Conselho Universitário da UFSB (Consuni), Joelson Ferreira de Oliveira, também fez parte da abertura.

Estiveram presentes à mesa a Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ensino e Relações Étnico-Raciais (PPGER), Professora Maria Aparecida de Oliveira Lopes; o Decano do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências do Campus Sosígenes Costa (IHAC/CSC), Professor Marcos Eduardo Cordeiro Bernardes, e a Decana do IHAC do Campus Jorge Amado (CJA), Ita de Oliveira. A apresentação ficou por conta da Professora Rosângela Pereira de Tugny.

Sobre a abertura, a estudante do PPGER/CPF Eliene Santos Nascimento destacou que “a reitora Joana nos inspirou a continuar a luta por espaços antes ocupados apenas por homens. Sua presença como mulher negra nos mostra que a descolonização das instituições é possível.” Ainda sobre a solenidade, a estudante evidenciou a participação da professora Maria Aparecida Lopes, ao salientar “a importância da luta dos estudantes cotistas para garantir esse direito na universidade.”

A professora Rosângela de Tugny ressaltou a presença de um quantitativo de público maior do que o esperado, já que o encontro foi realizado de forma alternativa, sem apoio de agências de fomento, a não ser do INCT. Ela atribuiu o público à “possibilidade de ter esses três grandes interlocutores convidados, José Jorge de Carvalho, Kabengele Munanga e Joelson Ferreira, personalidades que transformaram esse Seminário numa efervescência muito grande.”

 

UFSB Popular

Na tarde do primeiro dia e parte da manhã do segundo, a programação, intitulada A UFSB Popular, envolveu docentes, atuais e ex-gestores(as), técnicos(as)-administrativos(as) e estudantes de pós-graduação da UFSB. Esse primeiro momento coletivo contou também com a presença da professora e Diretora de Planificación Educativa, Gladys Marquisio Cilintano, e do Ministro Edison Torres Camacho, ambos do Consejo de Formación en Educación (CFE) do Uruguai.

As professoras Rosemary Aparecida Santiago e Fabiana Costa, o professor Gustavo Bruno Bicalho Gonçalves, todos(as) do CJA, e o estudante do Programa de Pós-Graduação em Estado e Sociedade (PPGES) Likem Edson Silva de Jesus apresentaram reflexões a partir de um trabalho coletivo sobre as relações entre a UFSB e as redes de ensino e instituições escolares da Educação Básica no Sul da Bahia.

Likem Jesus explicou que “o que une nossas narrativas é, justamente, a aproximação com os estudantes das Licenciaturas Interdisciplinares e com a rede de educação básica, que nos fornecem um retrato bastante honesto do que é o Sul da Bahia, das demandas e organizações políticas regionais e de como se constroem as relações sociais e de poder fora da Universidade, sobretudo nas escolas, bem como torna possível identificar os avanços e dificuldades da UFSB em atingir os interesses apontados no Fórum Social, em 2015.”

A professora Rosemary Aparecida Santiago (CJA) contou que o grupo situou sua apresentação “nas práticas e experiências em Componentes Curriculares e na participação da UFSB no Conselho Municipal de Educação de Itabuna. Compreendemos a universidade como responsável pela gestão de políticas públicas e potencializadora do seu papel político-social de portadora de interesses públicos.”

A docente disse ainda que “a reflexão e análise das experiências desta exposição tomou como base o princípio, inscrito na Carta de Fundação da UFSB, da interface sistêmica da universidade com a educação básica com vistas a fomentar a formação interdisciplinar e flexível, tendo por base a integração com as redes de ensino fundamental e médio de sua região de abrangência.”

Na noite do dia 9, na aula magna, o Professor Livre-Docente Kabengele Munanga abordou o tema O papel da Universidade na luta contra o racismo, na defesa de políticas afirmativas, do pluralismo cultural e epistêmico. Brasileiro por naturalização desde 1985, o professor Munanga nasceu na República Democrática do Congo, onde se graduou em Antropologia Social e Cultural pela Universidade Oficial do Congo. É Professor Sênior da Universidade de São Paulo e Professor Visitante Sênior da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). É autor de mais de 150 publicações entre livros, capítulos de livros e artigos científicos, tendo sido agraciado com diversos prêmios e homenagens.   

Universidade Pluriepistêmica

Parte da manhã e toda a tarde do dia 10 foram dedicadas ao tema A Universidade Pluriepistêmica. Sobre essa sessão, que teve foco na formação e em metodologias, o Professor Daniel Puig (CSC) enfatizou que “um dos pontos altos foi a participação ativa de estudantes de 1°, 2° e 3° Ciclos dos diferentes campi e Cuni e também online.” Na avaliação do docente, “depois do Seminário, tenho certeza que saímos com outra perspectiva das dificuldades, barreiras, possibilidades, estratégias, sonhos e realizações nas quais a UFSB esteve/está envolvida. Nos reconhecemos nessa rede em favor de uma educação pública de qualidade, trabalhando com/para pessoas e comunidades de seu território.”

Álamo Pimentel, professor do Programa de Pós-Graduação em Estado e Sociedade (CSC/UFSB), apresentou uma análise da construção intersetorial de uma política pública que busca a integração entre universidade e escola a partir da gênese dos Colégios Universitários (CUNI) e dos Complexos Integrados de Educação (CIEs). “Essa análise tem como um dos propósitos tornar pública a base dos documentos que foram construídos durante o período de 2015 e 2016, quando os CIEs foram implantados e as licenciaturas interdisciplinares, criadas”, explicou.

O professor destacou também que, “apesar das diferenças entre os CIEs de Teixeira de Freitas, Itamaraju e Porto Seguro, a geração de movimentos de reconstrução política das relações precisa ser vista como algo positivo tanto em Itamaraju quanto em Porto Seguro, assim como a criação da Estação dos Saberes, no CIE de Itabuna, instaurando um novo momento da educação na nossa região.”

Na sua análise, “ainda há uma limitação que nos deixa muito dentro do Ensino Médio.” E complementou, dizendo que, “nesse momento que se inaugura, é fundamental a universidade construir a expansão das relações com as Secretarias Municipais de Educação, com a Educação Infantil e com o Ensino Fundamental.”

A palestra de encerramento, intitulada Encontro de saberes e descolonização: para uma refundação étnica, racial e epistêmica das universidades brasileiras, foi proferida pelo Professor José Jorge de Carvalho, Titular no Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília (UnB), Pesquisador 1-A do CNPq e Coordenador do INCT - Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia e Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa, do Ministério de Ciência e Tecnologia e do CNPq.

Futuro em rede

O professor Daniel Puig qualificou bem o evento, ao explicar que “a pluriepistêmica não foi só uma palavra do título, foi também o vir-a-ser desse Seminário. Ficou mais palpável que a universidade tem um enorme caminho a percorrer para um dia ser uma universidade popular. Isso vale tanto para a UFSB quanto para o contexto nacional e global. O que, sem dúvida nenhuma, depois de tudo o que vivenciamos ali, tem excelentes resultados é a busca pelas fissuras nesse sistema, que nos permitem chegar mais perto desse objetivo como uma rede de povos, culturas, pessoas.”

Rosângela de Tugny afirmou que todos os membros da Comissão Organizadora se sentiram “muito felizes com esse encontro de professores(as) de áreas tão diferentes, falando, teorizando sobre questões que vivenciam e também muito felizes por perceber o quanto é possível aliar o pensamento científico, a pesquisa, com uma prática mais voltada para nosso engajamento enquanto educadores que têm como princípio a transformação social.”

 

Fotos: Augustin de Tugny / Rosângela de Tugny

 

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