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Cartazes no Campus Sosígenes Costa lembram o aniversário da Conjuração Baiana

  • Publicado: Sexta, 14 de Agosto de 2026, 15h27
  • Última atualização em Sexta, 14 de Agosto de 2026, 15h27
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site animai vosNa noite de 11 de agosto, estudantes do projeto de pesquisa Faces e Referências do Republicanismo Popular (PIE2079-2026), realizaram a afixação de cartazes pelo Campus Sosígenes Costa em memória à data de aniversário da Conjuração Baiana (também conhecida como Revolta dos Búzios). Esse movimento foi publicizado na manhã de 12 de agosto de 1798, quando Salvador amanheceu com diversos cartazes anunciando a instauração “para o futuro” de uma república popular e igualitária na Bahia.

Os cartazes de 2026 traziam trechos dos cartazes de 1798, como:

“Animai-vos, povo bahiense, que está por chegar o tempo feliz da nossa liberdade: o tempo em que todos seremos irmãos, o tempo em que todos seremos iguais.”

“A liberdade é o estado feliz, estado livre do abatimento: a liberdade é a doçura da vida, o descanso do homem com igual paralelo de uns para os outros, finalmente a liberdade é o repouso e bem-aventurança do mundo.”

“Oh vós, homens cidadãos, oh vós, povos curvados e abandonados pelo rei, pelos seus despotismos, pelos seus ministros. [...] Homens, o tempo é chegado para a vossa ressurreição; sim, para ressuscitar do abismo da escravidão, para levantar a sagrada Bandeira da Liberdade.”

“O Poderoso e Magnífico Povo Bahiense Republicano desta cidade da Bahia Republicana considerando os muitos e repetidos latrocínios feitos com os títulos de imposturas, tributos e direitos que são celebrados por ordem da Rainha de Lisboa, e no que respeita a inutilidade da escravidão do mesmo povo tão sagrado e digno de ser livre, com respeito à liberdade e à igualdade, ordena, manda e quer que para o futuro seja feita nesta cidade e seu termo a sua revolução para que seja exterminado para sempre o péssimo jugo ruinável da Europa.”

Envolvendo sujeitos de condição forra (alforriados), escravizados e livres, animados pelos avanços da onda revolucionária mundial, os “Bahinenses Republicanos” que assinavam aqueles cartazes ensaiaram o movimento social mais amplo e radical de todo o período colonial do Brasil. Se não defenderam explicitamente o fim do trabalho escravo nos papéis públicos, no cotidiano de arregimentação para o “Partido da Liberdade” eles propagavam – em Salvador e no Recôncavo Baiano – o fim do escravismo como uma das principais metas do movimento, assim como a possibilidade de chegada de apoio militar francês para a desejada revolução contra a monarquia portuguesa.

cartazete animai vosTal apoio nunca chegou e, antes que o movimento pudesse seguir angariando seguidores, foram denunciados e perseguidos. Muitos conseguiram fugir de Salvador, notadamente aqueles de melhor condição social, outros até fugiram mas acabaram sendo pegos e enforcados – caso dos jovens alforriados Lucas Dantas de Amorim Torres e Manuel Faustino dos Santos Lira. Luís Gonzaga das Virgens (neto de uma mulher escravizada) e João de Deus do Nascimento (filho de uma mulher alforriada), pardos como Lucas e Faustino, fecham a lista dos quatro réus levados à forca no ano de 1799. Enquanto isso, um tenente que traduzia textos franceses e chegou a ser citado como chefe militar do Partido da Liberdade, Hermógenes Francisco de Aguillar Pantoja, recebeu apenas pena de prisão, sendo solto já em 1800.

Além daqueles recortes, os cartazes disseminados pelo campus trazem um QR Code para quem quiser saber mais sobre as esperanças evocadas no “Feliz 12 de agosto” e sobre as pesquisas tocadas pelo projeto Faces e Referências do Republicanismo Popular, configurando ação de divulgação científica das pesquisas de três estudantes de História: Maysa Costa de Oliveira, Raquel Oliveira da Silva e Tatiane dos Santos Novaes Costa.

Esse trabalho está acessível também pelo link https://faces-republicanismo-popular-silk.vercel.app/

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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