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Reitor Fabrício Berton Zanchi fala sobre os projetos para a UFSB

  • Escrito por Heleno Rocha Nazário
  • Publicado: Quarta, 24 de Junho de 2026, 17h32
  • Última atualização em Sexta, 03 de Julho de 2026, 09h13
  • Acessos: 2182

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A chegada do professor Fabrício Berton Zanchi ao cargo de reitor da Universidade Federal do Sul da Bahia marca um ponto importante de uma trajetória marcada pela educação como vetor de progresso. Nascido no Paraná e criado em Rondônia, o novo gestor máximo da UFSB tem como palavras de ordem a melhoria de vida pela educação e ciência e a determinação pelo avanço institucional e social. 

Licenciado em Matemática pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR) - que tem matéria sobre a trajetória do novo reitor como aluno na instituição -, com mestrado em Micrometeorologia pela Universidade de São Paulo (USP) e doutorado em Ecohidrologia na VU University Amsterdam, na Holanda, o professor Fabrício Zanchi ingressou no magistério superior federal na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), onde atuou como pesquisador e gestor por nove anos. Em 2015, foi redistribuído para a UFSB, onde exerceu até recentemente o cargo de decano do Centro de Formação em Ciências Ambientais (CFCAM), no Campus Sosígenes Costa, em Porto Seguro. Ali, prosseguiu na gestão, no ensino e na pesquisa, com estudos e orientações contribuindo para a construção do conhecimento na universidade. 

Esse percurso profissional tem marcas da história pessoal que dialogam com a realidade de tantas outras pessoas. Parte daí o foco do novo reitor em promover melhorias na UFSB, com propostas da época da campanha aprimoradas após o período de transição de gestão, iniciado em março deste ano. Mesmo com as dificuldades orçamentárias que afetam as instituições federais de ensino superior, o professor Fabrício aponta potenciais de mudança e parcerias que podem impulsionar a instituição. Conheça um pouco do pensamento do novo reitor na entrevista. 

 

 

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Considerando sua trajetória de vida, como é, para o senhor, chegar ao cargo de reitor da UFSB?

Chegar à Reitoria da UFSB representa uma enorme responsabilidade e, ao mesmo tempo, a concretização de uma trajetória construída pela educação pública. Sou filho de uma família simples, estudei em escolas públicas em Rondônia, em uma realidade marcada por muitas dificuldades estruturais. Uma delas era o difícil acesso ao ensino, pela falta de transporte. Era comum ter que percorrer 15 quilômetros para estudar, caminhando, pedindo carona, andando de bicicleta. As condições da infraestrutura lá eram precarias, muito difíceis. Nem vou falar em biblioteca, que não existia isso lá. Vivíamos de copiar livros, não sabíamos o que era um RU [restaurante universitário]. Fazíamos vaquinha para comprar ventilador para a sala de aula. Tínhamos muitas dificuldades e pouca infraestrura disponível. Ou seja, no nosso horizonte só tinha a certeza de que a formação era mais importante que qualquer outra decisão.

A história da minha família se assemelha às de muitas que migraram para Rondônia. Na época, as poucas condições que tínhamos pioraram com o Plano Collor. E o que era básico se tornou quase luxo. O que fez a diferença para nossa família foi dar o devido valor à educação como ferramenta de transformação pessoal e social. Então, qualquer sacrifício para educar e formar era a escolha na nossa casa. Meus pais sempre acreditaram na educação.

Fui o segundo integrante da minha família a ingressar em uma universidade federal, depois de meu irmão. A educação transformou a minha vida e me permitiu percorrer um caminho que passou pela pesquisa científica na Amazônia, pela formação no Brasil e no exterior e pela construção de projetos acadêmicos em diferentes universidades federais. A vivência na Amazônia e o contato direto com as dificuldades da região moldaram minha visão sobre o papel da ciência no desenvolvimento sustentável, na redução das desigualdades sociais. 

Por isso, assumir a Reitoria da UFSB não é apenas uma conquista pessoal. É a demonstração de que a universidade pública continua sendo um instrumento poderoso de transformação social. Tenho profundo respeito pela história da instituição e pelas pessoas que a construíram. Chego com a convicção de que a gestão deve estar a serviço da comunidade universitária e do território que a universidade atende.

 

As gestões anteriores foram da equipe que criou e instalou o projeto da UFSB. A sua chapa foi a primeira a vir do projeto implantado, da comunidade nos campi. Como percebe isso na proposta da sua gestão?

A UFSB teve uma etapa histórica fundamental de concepção, de implantação. As gestões anteriores enfrentaram desafios enormes para transformar uma ideia inovadora em uma universidade real, presente nos territórios. Nossa gestão representa uma nova etapa desse processo.

WhatsApp Image 2026 06 24 at 22.35.02Somos a primeira equipe oriunda da universidade já implantada. Vivemos o cotidiano dos campi, das coordenações de curso, dos colegiados, dos centros de formação, dos CUNIs, dos laboratórios e dos desafios administrativos. Isso nos permite olhar para a UFSB a partir da experiência concreta de quem ajudou a consolidar cursos, programas, projetos de pesquisa, ações de extensão e estruturas acadêmicas.

Cheguei aqui [na UFSB] em 2015, então eu tive a oportunidade de entrar em uma instituição ainda no seu começo. E participar disso, da construção de uma universidade inovadora, concebida para dialogar diretamente com as demandas do território, foi um dos maiores desafios e privilégios da minha trajetória profissional. Aqui eu atuei como professor, pesquisador e gestor, ajudei a fortalecer o CFCAm [Centro de Formação em Ciências Ambientais], para consolidar grupos de pesquisa, para captar recursos e para formar estudantes na graduação e na pós-graduação. Ampliei a infraestrutura da unidade, com um prédio de laboratórios atualmente sendo construído. Ampliei a pós-graduação no CFCAM, coordenei os trabalhos para a melhora das notas dos cursos até o índice máximo.

Nossa proposta é a de uma universidade que passa da fase de implantação para uma fase de consolidação, integração e fortalecimento institucional. Queremos uma gestão mais próxima das pessoas, baseada em planejamento, dados, participação e escuta permanente. Assumo essa missão trazendo a experiência acumulada na Amazônia, em instituições internacionais de pesquisa e na própria UFSB, sempre buscando inovação e guiado pela convicção de que a universidade pública é uma das mais importantes ferramentas de transformação social, produção de conhecimento e promoção do desenvolvimento sustentável do país. E isso não será possível se a instituição não gerar pertencimento, ou seja, não valorizar o que temos em nossos diferentes campi.

 

 

"Nossa proposta é a de uma universidade que passa da fase de implantação para uma fase de consolidação, integração e fortalecimento institucional. Queremos uma gestão mais próxima das pessoas, baseada em planejamento, dados, participação e escuta permanente."

 

 

 

Nesses meses do período de transição, o que o senhor destaca como principal aspecto que quer mudar no funcionamento da universidade?

Talvez o principal ponto seja fortalecer a integração institucional. Identificamos muitos setores trabalhando com dedicação, mas nem sempre conectados entre si. Isso gera retrabalho, sobreposição de esforços e dificuldades de comunicação.

Queremos avançar para uma cultura de gestão mais colaborativa, com fluxos claros, transparência nos processos, uso estratégico da tecnologia e maior articulação entre reitoria, campi, unidades acadêmicas e comunidade universitária. A universidade precisa funcionar como um sistema integrado, em que as informações circulem e as decisões sejam compartilhadas.

 

E em quais pontos o período de transição mudou algo no seu entendimento da UFSB?

O período de transição reforçou uma percepção que já tínhamos: a UFSB possui um enorme potencial humano e institucional. Ao mesmo tempo, evidenciou desafios estruturais que precisam ser enfrentados com planejamento e diálogo.

Também ficou ainda mais claro que muitas das dificuldades da universidade não decorrem apenas da limitação orçamentária. Existem questões relacionadas à governança, comunicação interna, gestão de processos e integração entre setores que podem ser aprimoradas independentemente do orçamento disponível. Meus planos para o reitorado da UFSB partem da convicção de que a universidade já deixou para trás sua fase de implantação e precisa agora consolidar seu projeto institucional com qualidade, inclusão, sustentabilidade e compromisso com o desenvolvimento regional. O objetivo não é apenas crescer, mas crescer de forma articulada, fortalecendo a integração entre os campi, os Colégios Universitários, as unidades acadêmicas e a Reitoria, transformando a diversidade territorial e humana em uma das maiores fortalezas da instituição.

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