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Pesquisadores divulgam resultados de experimentos em restauração florestal

Escrito por Heleno Rocha Nazário | Publicado: Segunda, 27 de Julho de 2020, 17h03 | Última atualização em Segunda, 27 de Julho de 2020, 17h40 | Acessos: 218

IMG 20190809 101202026Pesquisadores do Centro de Formação em Ciências Agroflorestais da Universidade Federal do Sul da Bahia (CFCAf/UFSB) apresentaram os resultados de experimentos com restauração florestal em artigo publicado na revista Forest Ecology and Management. O estudo Restoration plantings of non-pioneer tree species in open fields, young secondary forests, and rubber plantations in Bahia, Brazil é assinado por Daniel Piotto (Centro de Formação em Ciências Agroflorestais - CFCAf/UFSB), Kevin Flesher (Reserva Ecológica Michelin), Andrei Caíque Pires Nunes (CFCAf/UFSB), Samir Rolim (colaborador do Laboratório de Dendrologia e Silvicultura do CFCAf/UFSB), Mark Ashton e Florencia Montagnini (Universidade de Yale). Dentre os resultados, os cientistas perceberam que os melhores índices de crescimento foram obtidos em áreas de campo aberto, no chamado tratamento a pleno sol.

O professor Daniel Piotto explica que o artigo aborda diferentes metodologias para restauração de populações de espécies florestais nativas raras e ameaçadas. O projeto de pesquisa foi estabelecido em parceria com a reserva ecológica Michelin, em Ituberá, Bahia. O experimento foi iniciado em 2009, com o plantio de 1.200 árvores de cinco espécies nativas raras e consideradas ameaçadas (nomes populares: gindiba, bacupari, óleo-copaíba, landirana e bapeba), distribuídas em áreas com tratamentos diferentes: em campo aberto a pleno sol, a pleno sol com espécies florestais pioneiras, em florestas secundárias e em plantação de seringueira. Essas espécies de árvores têm similaridades o crescimento lento do tronco, a alta densidade da madeira e sementes de tamanho entre médio e grande, o que as torna dependentes de dispersão por animais. A equipe de cientistas monitorou o crescimento e a sobrevivência das árvores ao longo de seis anos, usando como medidas a altura, o diâmetro da árvore a 1,30m do solo e a sobrevivência de cada vegetal nas parcelas.

Conforme o artigo descreve, há diversos estudos que preconizam sobre a combinação entre as espécies não-pioneiras e pioneiras, que se desenvolvem mais rápido e tendem a criar as condições propícias para o crescimento das espécies não-pioneiras, de crescimento lento, como as estudadas no projeto. Porém, o principal resultado encontrado pelos pesquisadores é o crescimento significativamente superior dessas espécies não-pioneiras nos tratamentos a pleno sol, em campo aberto. O professor Piotto explica que o tratamento a pleno sol é o mais interessante para projetos de restauração de árvores raras e ameaçadas: "possibilita um crescimento mais rápido das árvores. Com o crescimento mais rápido, as árvores atingem maturidade mais cedo, possibilitando a produção e a dispersão de sementes das árvores plantadas, apoiando o reestabelecimento de suas populações, bem como permitindo um uso mais precoce dos plantios por espécies da fauna silvestre em busca de abrigo e alimento".

O processo de restauração florestal representa um desafio cuja solução trará ganhos significativos para a recomposição de biodiversidade. Espécies que quase desapareceram podem ter populações repostas, o que vai favorecer a retomada da fauna que vive em floresta. Os projetos de restauração florestal são exigências ambientais que podem se beneficiar dos resultados deste estudo. Para isso, conforme os cientistas, é preciso considerar aspectos como a proporção entre espécies de árvores, os custos para instalar e organizar berçários de cultivo de mudas e plantá-las, o que demanda mais estudos para determinar espécies que tenham crescimento rápido, alta sobrevivência e menor custo de propagação.

O professor Daniel Piotto falou mais sobre a pesquisa em entrevista concedida à UFSB Ciência.

 

Michelin 2019bO resultado encontrado contrariou as hipóteses propostas, com asmichelin2019a espécies não-pioneiras se desenvolvendo melhor e mais rápido quando a pleno sol e sem as pioneiras. E há indícios na literatura de que essa combinação pode ser positiva para as espécies não-pioneiras. O que pode explicar esse resultado?

Professor Daniel Piotto: Naturalmente, depois de um distúrbio na floresta, as pioneiras e as não-pioneiras crescem juntas. Com isso, algumas técnicas de restauração buscam copiar esse processo misturando pioneiras e não-pioneiras. Originalmente pensava-se que, apesar do desenvolvimento ser similar na sombra e no sol, a mortalidade seria mais alta no pleno sol. Porém, encontramos que a mortalidade é similar, mas o crescimento é significativamente superior a pleno sol. O motivo é a menor competição por luz e outros recursos que promovem o crescimento no tratamento a pleno sol. 

No artigo, em complemento aos resultados, os autores propõem uma mudança na proporção entre espécies pioneiras e não-pioneiras, quando se tratar de plantios mistos. Que fatores podem ajudar a estabelecer proporções adequadas para esse tipo de projeto de restauração florestal?

Professor Daniel Piotto: A proporção adequada vai depender do objetivo do projeto de restauração e das condições de degradação da área a ser restaurada. No caso da Reserva Ecológica Michelin, o objetivo é reestabelecer as populações de espécies arbóreas raras e ameaçadas que são utilizadas pela fauna silvestre e as áreas não estão muito degradadas. Logo, a prescrição é de 100% de espécies não-pioneiras. No caso de uma área bastante degradada já seria necessária a inclusão de uma proporção maior de pioneiras. 

 

Quais os próximos aspectos que serão estudados em relação a esse experimento?

Professor Daniel Piotto: Além de continuar o monitoramento do crescimento e da mortalidade das árvores, estão previstos estudos sobre aspectos ecofisiológicos das espécies utilizadas e também estudos relacionados à atividade da fauna silvestre nas áreas experimentais.

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