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Pesquisadora da UFSB integra grupo internacional dedicado a aperfeiçoar uso de equipamentos ópticos em estudos oceanográficos

21 de outubro de 2016   //   Por:   //   Notícias

Os métodos de captura e análise de dados na área de oceanografia e biologia marinha têm se desenvolvido rapidamente, especialmente no que diz respeito ao uso de equipamentos com tecnologias ópticas. A variedade de novas ferramentas traz o problema da necessária padronização, para que os estudos possam ser comparáveis entre si. Superar esse desafio é o objetivo de um grupo de pesquisadores de diversas nacionalidades, ao qual está ligada a professora Catarina Marcolin, que leciona no Campus Sosígenes Costa da UFSB.

O grupo de trabalho internacional é dedicado à tradução de medidas ópticas em informações sobre o conteúdo, agregação e transferência de partículas, de onde deriva seu nome em inglês (Translation of Optical Measurements into particle Content, Aggregation & Transfer, ou TOMCAT).

 

em uma escadaria, pesquisadores de diferentes países posam para a fotografia. Estão em pé nos degraus da escada e sorriem para a câmera

Equipe do TOMCAT reuniu cientistas de vários países em Southampton para trocar experiências e informações sobre o uso de equipamentos ópticos em pesquisas no oceano

Outro ponto em comum entre os pesquisadores é o interesse no ciclo oceânico de carbono. Pequenas partículas levam matéria orgânica da superfície até o fundo do mar, e nesse trajeto acabam servindo de alimento para a vida marinha. A quantidade de partículas que caem e o ritmo de consumo da matéria orgânica têm relação com o processo de retirada do carbono da superfície e influência direta na concentração de dióxido de carbono na atmosfera, um dos fatores ligados ao clima no planeta.

 

Uma das dificuldades que as pesquisas nessa área enfrentam ao estudar diversos tipos de partículas marinhas é o alcance temporal e espacial dos dados obtidos com os equipamentos tradicionais usados para capturar as partículas que afundam. As novas tecnologias ópticas oferecem mais dados, com maior resolução de amostragem, porém também apresentam limitações, comenta a professora Catarina: “Essas tecnologias oferecem ganhos ao permitir a identificação dos diferentes tipos de partícula, além do ganho em resolução espacial e temporal. Apesar de já serem nítidos esses avanços, ainda não é possível medir precisamente a quantidade de carbono que chega ao fundo dos oceanos, o que exigirá o uso de conversões a partir de modelos matemáticos. Os métodos anteriores continuam sendo usados e provavelmente serão utilizados para calibrar os sistemas ópticos. O que o grupo pretende atacar são diferenças entre o que se mede em cada sistema óptico, quais são os prós e contras desses sistemas, quais variáveis são importantes e como produzir métricas que sejam comparáveis entre os diferentes sistemas ópticos”.

 

Em um encontro internacional dos integrantes do TOMCAT, ocorrido entre 12 e 14 de setembro, em Southampton, Inglaterra, a professora Catarina pôde trocar informações e experiências com os demais cientistas. Suas contribuições dizem respeito a dois equipamentos que emprega nas investigações desde o doutorado, o Zooscan e o LOPC (Laser Optical Particle Counter). Enquanto o primeiro é um aparelho de bancada, usado no laboratório, o segundo é um equipamento de campo, que coleta dados instantâneos na coluna de água. “Comecei a trabalhar com equipamentos ópticos no doutorado, sempre buscando extrair o máximo de informações destes aparelhos. No doutorado, descobri que é possível combinar o LOPC e o ZooScan para gerar modelos de distribuição vertical do zooplâncton. Sigo trabalhando com o LOPC especialmente para gerar estimativas de fluxos de partículas na Plataforma Continental Brasileira, incluindo a região de Abrolhos”, detalha a cientista, que também dedica tempo à divulgação científica através do blog Bate-papo com Netuno.

 

As informações sobre equipamentos, métodos de calibragem, de manutenção e de conversão dos dados obtidos serão publicados em revistas de acesso livre (open access). “Teremos um repositório online para incluir dados gerados no projeto que devem ser disponibilizados ao público. Temos perspectivas de se oferecer cursos de capacitação, bem como de se fornecer manuais metodológicos sobre alguns equipamentos e ou procedimentos”, diz Catarina. O TOMCAT recebe fomento da Scientific Committee on Oceanic Research (http://www.scor-int.org), uma agência que financia grupos de pesquisa internacionais voltados aos estudos sobre os oceanos.